
REFORMA
Estou debruçado sobre um projeto que Deus me confiou, que é o de levantar a Geração 21. Entendo e creio que esta é a geração do avivamento e da reforma.
Reformamos roupas quando ficam pequenas ou grandes; móveis quando eles começam a ranger, lascar, são ameaçados por cupins e perdem o brilho. Reformamos casas e edifícios, procurando devolver a eles a segurança e a aparência que desejamos. Até cartas magnas das nações são reformadas.
A igreja deveria ser como o cabeça, Seu Senhor a quer. Entretanto, hoje desfigurada, desbotada e quase sem brilho, está sendo crucificada, não pelos de fora, que sem dúvida sempre a combateram, mas está sendo carcomida por vermes em suas entranhas, sofrendo de autoagressão. Penso que o Senhor Jesus Cristo se entristece ao ver Seu corpo se automutilando.
É hora de reforma, de mudança, de restauração e renovação para que ela, a igreja, esteja adornada, purificada para o Seu Senhor.
Essa obra o próprio Deus fará, mas ele sempre usou de instrumentos que, na Sua soberana e perfeita vontade, Ele escolheu para tal mister.
Convido você a comemorar comigo mais um aniversário da reforma protestante, que será no próximo dia 31, colocando-se à disposição do Senhor para Ele realizar o Seu propósito através de mim e de você.
Leia e medite nesta mensagem que deixo para sua edificação. Entre em contato comigo através deste site, pois estou chamando jovens para a Geração 21. Que Deus o abençoe!
REFORMA: UMA MENSAGEM PARA HOJE
Deus, o bom pastor, cuida do seu rebanho. No caso de Reforma Protestante, reconduziu seu povo aos pastos verdejantes.
Ao pensarmos na Reforma, vem a nossa mente muito do que já se falou sobre esse fato. Porém, nos deteremos em alguns aspectos gerais sobre as interpretações, o contexto e o quadro atual da sociedade.
A história, apesar das vertentes interpretativas que se baseiam em diversas correntes de pensamento, não deixa de estampar a ação de Deus revelando-se ao pecador caído e agindo poderosamente no sentido de oferecer ao homem a salvação.
A historiografia, conforme a linha de pensamento e a preferência do historiador, tem concebido a reforma de várias formas: os historiadores católicos entendem como revolta contra a igreja universal, heresia; o protestante reformado a vê como a volta às origens, a leitura da Bíblia, com ênfase na salvação pela fé; os seculares, como um movimento revolucionário, briga de monges; na Inglaterra, capricho de um rei apaixonado (Henrique VIII).
A via marxista coloca a adesão à igreja reformada como a forma que a burguesia encontrou para não dividir seus lucros com a igreja romana.
Crendo no propósito de Deus para o homem, nas suas promessas, na sua fidelidade amorosa, entendo que a interpretação da Reforma mais coerente foi defendida por Earle E. Cairns, “dá a religião (ao aspecto espiritual) o lugar de primazia sem ignorar os fatos políticos, econômicos, morais e intelectuais...”.
Por volta de 1500, o cenário que a sociedade medieval expunha estava ruindo, transformações de ordem política, econômica, religiosa e intelectual sacudiam as bases do mundo medieval. O renascimento, a formação dos estados-nacionais, a chegada ao novo mundo promoveram, entre outras coisas, inquietações e descobertas.
Outro elemento importante foi a sedimentação da sociedade mercantil, que cada vez mais expandia seus negócios. Naquele momento, estava sendo gestado o embrião que na Segunda metade do século XVII permitiu a Revolução Industrial.
Enquanto isso acontecia, a igreja medieval continuava a defender o estado universal religioso. A essa altura, a unidade política do mundo medieval estava sendo substituída pelas nações-estados, dotados de poder central com governos fortes.
As cidades que durante a Idade Média ficaram adormecidas ressurgiram com a abertura de novos mercados capazes de alavancar o comércio. O crescimento econômico que se deu a partir daí, permitindo o acúmulo de riqueza, tornando possível a ascensão social.
Já o renascimento propiciou oportunidades. Os estudiosos voltaram às fontes, ao passado, fato que levou os humanistas cristãos ao estudo da Bíblia nas línguas originais. Mais um sinal de que Deus é senhor da história.
A prosperidade da classe média criou um novo espírito de individualismo que favoreceu a pregação protestante de que a salvação trata-se de uma questão pessoal a ser resolvida pelo indivíduo e Deus sem interferência, nem mediador humano.
Após observarmos, em linhas gerais, as interpretações e o contexto em que aconteceu a Reforma Protestante, cabe uma pergunta: na nossa sociedade, hoje no século XXI, no mundo globalizado, que características psicológicas podemos visualizar no homem pós moderno?
A sociedade capitalista, hedonista, relativista, plural, cética, tem gerado um individualismo que esmaga o indivíduo como pessoa, pela vida cada vez mais competitiva, pelo desemprego, falsos valores, consumismo exacerbado, pela ideia de liberdade do tudo permitido, da falta de limites em um mundo sem sentido, sem futuro, insuportável.
Vivendo em um meio que dissolve a ideia de dever, apaga a importância da virtude e alimenta o “culto ao corpo”, a fama, o medo da velhice. As estatísticas têm mostrado um homem tomado pelo pânico da morte, pelo individualismo extremado, pela impaciência e pela intranquilidade.
Essa situação tem levado as pessoas a buscarem socorro nos magos (pseudos advinhos), astrólogos, tarólogos, protestantes históricos, pentecostais, neopentecostais, catolicismo carismático, no culto à natureza e nos caminhos de São Tiago.
Tomas Khite, um historiador secular, na sua obra “O Declínio da Magia”, deixa claro que a Reforma Protestante foi a responsável pela redução da magia, que havia se proliferado e aterrorizado o homem durante toda a Idade Média.
A Reforma, nos países europeus, ao enfatizar a soberania de Deus, a salvação pela fé, a Bíblia como única regra de fé e prática, fez a diferença necessária para que possamos ter a Cristo como Salvador de nossas vidas. Hoje, a palavra é a mesma e o indivíduo continua com o mesmo vazio. Se no passado essa mensagem reformada através da ação divina e de líderes como Lutero, Calvino, Zwinglio foi capaz de separar o governo das instituições religiosas, permitindo a elaboração de administrações locais e democráticas, contribuindo assim, valorosamente com a educação de qualidade e a salvação de muitas almas; nos tempos atuais, tudo isso pode acontecer, pois Deus é o mesmo ontem, hoje, amanhã e sempre.
Igreja Reformada, novamente a magia ascendeu, os valores, os ensinamentos estão corrompidos, a formação de muitos que professam a Cristo tem sido superficial, a identidade cristã, expressa no conhecimento e na ação amorosa, muitas vezes não pode ser percebida, pois nossos valores acabam enfraquecidos pelos valores do mundo.
Igreja Reformada, nós temos o bom pastor que sempre providencia os meios; a porta, que uma vez aberta, podemos entrar; os pastos verdejantes; a graça necessária e o amor sem medida. Em Romanos 12:2, o Senhor nos mostra como fazer, “renovando a nossa mente para que possamos experimentar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”.
Que o povo escolhido esteja colocando Deus e a Sua Palavra em primeiro lugar nas suas vidas. Amém!
Com amor e orações,
Abrahão Soares.